Putin e a guerra (também) psicológica contra os europeus

Putin e a guerra (também) psicológica contra os europeus

O líder russo "joga" com o medo como o grande aliado ao mesmo tempo que testa os países europeus. O caso mais recente é o do drone armado no aeroporto de Leipzig, que as autoridades alemãs atribuíram aos serviços de informação russos. Razões para os responsáveis de serviços de informação europeus alertarem que Moscovo prepara uma ação mais decisiva contra a NATO.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
M.T ElGassier - Unsplash

Os serviços secretos afirmam que a campanha russa pode intensificar-se "em meses, não em anos". No entanto, alertam que o pânico dos cidadãos europeus irá favorecer as operações psicológicas do Kremlin.

A possibilidade de um teste iminente da Rússia em relação à NATO é assumida pelas autoridades europeias, escreve o jornal digital The Guardian. Há mesmo quem, nos serviços de informação, afirme que um possível ataque poderia ocorrer numa questão de "meses, não anos".
O jornal entrevistou, em separado, os responsáveis pelos serviços de informação de três países: Letónia, Suécia e República Checa

Os três países pertencem à NATO e os chefes dos serviços de informação conversaram com o Guardian sobre a possível ameaça representada por Moscovo. O responsável pelo serviço de segurança checo, afirma que "é possível” haver uma invasão em pequena escala de território da NATO que faz fronteira com a Rússia. 
Para além do aumento da atividade de drones que poderá fazer parte dos planos do Kremlin.

Michal Koudelka admite que poderá haver “provocações do tipo bandeira falsa"

Ou seja, é montado um incidente para incriminar um rival e depois usar isso para justificar medidas como uma invasão militar, golpes de Estado ou perseguições políticas. Numa rara entrevista na sede da agência, em Praga, o responsável checo acrescentou que "muitas pessoas estão a fazer tudo o que é possível para garantir que isso não acontece".

O serviço de segurança checo assegura que a atual tática russa consiste em explorar os pontos fracos nas sociedades ocidentais para reduzir o apoio ao esforço de guerra da Ucrânia.
"Acreditam que, se promoverem uma escalada suficiente, os países europeus decidirão não apoiar a Ucrânia", disse Michal Koudelka.
Também o o líder dos serviços de informação da Suécia acredita que a campanha de sabotagem da Rússia na Europa irá provavelmente intensificar-se nos próximos meses. Thomas Nilsson explica que há vários objetivos: reduzir o apoio à Ucrânia, provocar divisões na NATO e alarmar as populações europeias. 

"Penso que Moscovo adoraria que a NATO tivesse discussões intermináveis sobre consultas baseadas no artigo 4.º, mas sem resultar em qualquer ação", afirmou.

As autoridades dos países bálticos que fazem fronteira com o território russo (Estónia, Letónia e Lituânia), têm adotado uma postura mais cautelosa em relação à possibilidade de uma invasão.

Os três países bálticos citam o esgotamento dos recursos de Moscovo na Ucrânia e alertam que dar ênfase à perspetiva de um ataque pode favorecer os interesses do Kremlin. O diretor-geral do serviço de segurança estatal da Letónia, numa entrevista na sede da agência, em Riga, afirma que "não vemos indícios de um ataque iminente".

Normunds Mežviets reconhece que há sinais de que Moscovo pode estar a preparar uma ação mais decisiva na Europa. No entanto, não se sabe se esses sinais fazem parte apenas de uma estratégia de desestabilização.

"Ainda é uma incógnita se têm planos concretos ou se isso se insere apenas no contexto das suas tentativas gerais de espalhar o medo e a incerteza na sociedade ocidental", garante o chefe dos serviços de segurança estatal da Letónia.  No sábado, o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Jonatan Vseviov, criticou o "pânico nas redes sociais" observado nos últimos dias em relação a um possível ataque.
"Se houver motivos para temer um ataque, fiquem descansados: vamos deixar isso claro. Até lá, mantenham a calma, sigam em frente e apoiem a Ucrânia", escreveu no X.
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